sexta, 4 de setembro de 2026
Segurança10 de junho de 2026

Hacks de cripto em 2026: menos frequentes, muito mais graves

Os hackers norte-coreanos foram responsáveis pela maior parte de toda a cripto roubada este ano. O que aconteceu, porque continuam as exchanges a ser alvo, e como te proteges.

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10 de junho de 2026 · Tempo de leitura: 6 minutos · Pela redação da CryptoCode.nl

Na semana passada, a plataforma DeFi Radiant Capital anunciou que vai encerrar definitivamente — nunca mais recuperou do hack norte-coreano de 44 milhões de euros de 2024. É um símbolo apropriado para o ano de hacks de 2026: há menos incidentes do que antes, mas os golpes que acontecem são enormes. E, de forma notável, o rasto leva com frequência ao mesmo autor.

Um país, três quartos do saque

Segundo investigadores de segurança, os grupos de hackers norte-coreanos foram responsáveis, nos primeiros quatro meses de 2026, por cerca de 76 por cento de toda a cripto roubada a nível mundial — em grande parte através de dois megaassaltos que somaram cerca de 508 milhões de euros. Com mais de 528 milhões de euros em danos, abril foi o mês de hacks mais dispendioso desde o início de 2025.

O maior golpe do ano aconteceu a 19 de abril na Kelp DAO, onde os atacantes exploraram uma vulnerabilidade numa 'bridge' (uma ligação entre duas blockchains) e levaram cerca de 258 milhões de euros. Os danos não ficaram por aí: os tokens roubados foram usados como garantia na plataforma de empréstimos Aave, que ficou assim com quase 176 milhões de euros em dívida incobrável. O valor total na Aave caiu, na sequência disto, 5,8 mil milhões de euros. Um elo fraco, e o choque propaga-se por metade do ecossistema DeFi.

O padrão: disparar de forma dirigida sobre grandes alvos

A plataforma de segurança Immunefi calculou anteriormente que 191 hacks em 2024 e 2025 causaram, em conjunto, 4,1 mil milhões de euros em danos — e que apenas cinco grandes ataques foram responsáveis por 62 por cento desse valor. As exchanges centralizadas são o alvo preferido: vinte hacks de exchanges representaram, em conjunto, mais de metade de todos os danos. A lógica é simples: é ali que está concentrada a maior parte da cripto num único local.

O relatório contém ainda um número desanimador: os tokens de projetos hackeados perderam, em média, 61 por cento do seu valor nos seis meses seguintes, e em 84 por cento dos casos a cotação nunca mais recuperou o nível anterior. Um hack raramente é, portanto, uma queda temporária — o mercado trata-o como prova de fragilidade estrutural.

A ameaça desloca-se para o teu telemóvel

Enquanto os megaassaltos visam plataformas, os criminosos mais pequenos apontam cada vez mais diretamente aos utilizadores. Investigadores da Google descobriram esta primavera um kit de exploração ('Coruna') que tenta roubar, através de websites de phishing, as seed phrases de utilizadores de iPhone. A Microsoft alertou no início de junho para novo malware que persegue especificamente carteiras de cripto e palavras-passe. E a IA não ajuda: investigadores de segurança relatam que os cibercriminosos recorrem cada vez mais à inteligência artificial para automatizar ataques e tornar o phishing mais convincente.

Cinco lições para os detentores de cripto portugueses

A boa notícia: contra praticamente todos os cenários acima, um particular consegue defender-se. As regras básicas não são novas, mas 2026 sublinha-as dolorosamente.

1. Não deixes grandes quantias numa exchange. As exchanges continuam a ser o alvo preferido. Para montantes que não negoceias ativamente, uma wallet própria (de hardware) é o lugar mais seguro. Not your keys, not your coins não é um dogma, é gestão de risco.

2. A tua seed phrase nunca sai de casa. Nenhuma entidade legítima — nenhuma wallet, nenhuma exchange, nenhum «apoio ao cliente» — pede alguma vez as tuas palavras de recuperação. Qualquer website ou aplicação que as peça é, por definição, um ataque. Guarda as palavras offline, em papel ou metal, nunca como fotografia ou na cloud.

3. Escolhe plataformas reguladas e que demonstrem as suas reservas. As exchanges sob supervisão europeia (MiCA) que publicam uma Proof of Reserves dão-te uma garantia verificável em vez de promessas. Confirma os registos junto das autoridades reguladoras antes de enviares dinheiro para qualquer lado.

4. Tem cuidado redobrado com DeFi e bridges. As maiores perdas de 2026 aconteceram em bridges e protocolos DeFi interligados entre si. Ali, os rendimentos atrativos vêm por vezes acompanhados de riscos proporcionalmente maiores — usa apenas dinheiro que possas perder por completo.

5. Um projeto hackeado raramente é uma pechincha. Os números são claros: em mais de oito em cada dez casos, a cotação nunca mais recupera. 'Comprar na queda' depois de um hack é, estatisticamente, um mau plano.

Para terminar

O setor cripto está visivelmente a tornar-se mais profissional — menos incidentes, supervisão mais rigorosa, melhores auditorias. Mas enquanto houver milhares de milhões concentrados num único local, hackers estatais e criminosos continuarão à procura desse elo fraco. Certifica-te de que não és tu.

Fontes: relatório da Immunefi via Newsbit (março de 2026); números de hacks de 2026 via BeInCrypto e Crypto-Insiders; Radiant Capital e alertas da Microsoft e sobre IA via Newsbit (junho de 2026). Data de referência: 10 de junho de 2026.

Atenção: investir em criptomoedas comporta riscos significativos. Podes perder o teu investimento. Este artigo não constitui aconselhamento financeiro; faz sempre a tua própria pesquisa.

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