Wall Street blinda o bitcoin contra o quântico: 15 milhões
A Strategy, a BlackRock, a Coinbase e outros seis pesos pesados criaram a 23 de julho o Bitcoin Security Consortium, com um compromisso de 15 milhões de dólares (cerca de 13 milhões de euros) ao longo de três anos. O motivo: mais de sete milhões de bitcoins — aproximadamente 460,8 mil milhões de dólares (cerca de 403 mil milhões de euros) — estão na blockchain com a chave pública exposta.
Os maiores detentores institucionais de bitcoin fizeram algo que raramente fazem: avançar em conjunto. A 23 de julho de 2026, nove empresas apresentaram o Bitcoin Security Consortium, um compromisso comum de 15 milhões de dólares (cerca de 13 milhões de euros) durante três anos para a segurança da rede bitcoin a longo prazo. Primeira prioridade: criptografia capaz de resistir a computadores quânticos.
Quem participa
Os nove fundadores são a Strategy (antiga MicroStrategy), a BlackRock, a Coinbase, a Galaxy Digital, a Fidelity Digital Assets, a Anchorage Digital, a ARK Invest, a Block e a Blockstream. Em conjunto, gerem ou guardam uma fatia considerável de toda a bitcoin em mãos institucionais. O dinheiro não entra num fundo comum: cada membro encaminha a sua contribuição diretamente para os programadores e as equipas de investigação que escolhe. Mike Schmidt, diretor do fundo de desenvolvimento Brink, coordena o esforço a título voluntário.
«Enquanto detentores de longo prazo, temos todo o interesse em que a Bitcoin continue segura durante gerações», afirmou Phong Le, presidente executivo da Strategy, no anúncio.
Porque é que o quântico atinge sobretudo a bitcoin
A bitcoin protege os saldos através de assinaturas digitais baseadas em curvas elípticas. Enquanto a chave pública permanecer escondida atrás de um endereço, há pouco a atacar. Mas assim que se gasta a partir de um endereço, essa chave pública fica inscrita para sempre na blockchain. Nas primeiríssimas saídas da rede — as saídas pay-to-public-key dos primeiros anos — era mesmo visível desde o início. Um computador quântico suficientemente potente conseguiria daí derivar a chave privada correspondente.
O que está em jogo
A análise da blockchain mostra que mais de sete milhões de bitcoins têm a chave pública exposta: 34,9 % da oferta analisada, o equivalente a aproximadamente 460,8 mil milhões de dólares (cerca de 403 mil milhões de euros) às cotações desta semana. Todos os meses juntam-se-lhes cerca de 77 275 BTC, simplesmente porque os detentores movimentam as suas moedas. O grupo de investigação Project Eleven tinha chegado antes a cerca de 6,9 milhões de bitcoins vulneráveis — método de contagem diferente, mesma ordem de grandeza.
A BIP-361 e a mudança
Em cima da mesa está a BIP-361, coescrita pelo investigador de segurança Jameson Lopp. O documento descreve um abandono faseado das assinaturas ECDSA e Schnorr a favor de variantes resistentes ao quântico. Circula ainda uma ideia chamada «Hourglass» para saídas antigas cujos donos, com toda a probabilidade, nunca mais aparecerão. Nenhuma foi aprovada. É precisamente aí que entra o consórcio: financia a investigação, o código e a revisão por pares que uma decisão dessas exige.
Qual é a urgência
O «Q-Day» — o momento em que um computador quântico quebrar a cifra moderna — é situado pelos investigadores em 2030, no mínimo, com forte incerteza nos dois sentidos. Decretos presidenciais norte-americanos exigem que os sistemas federais de elevado valor passem a criptografia pós-quântica até ao final de 2031. Migrar toda a rede bitcoin demora anos, pelo que esperar pelo prazo não é opção.
O que significa para si
Hoje nada muda na segurança da sua wallet. Vale a pena, ainda assim, adotar já um hábito: não reutilize endereços. Enquanto nunca tiver gasto a partir de um endereço, a sua chave pública não aparece em lado nenhum. As wallets modernas geram por defeito um endereço novo em cada receção — basta deixar essa definição como está.
Fontes: The Block, CryptoSlate, CoinDesk, Bitcoin Magazine. Última verificação: 25 de julho de 2026.
