sábado, 5 de setembro de 2026
Altcoins22 de julho de 2026

A DTCC tokeniza ações e dívida pública na blockchain

A DTCC, o eixo da liquidação de valores mobiliários nos EUA com 114 biliões de dólares em custódia, começou este mês a tokenizar mesmo ações, ETF e dívida pública. Cinquenta grandes instituições financeiras participam. A ponte entre as finanças tradicionais e a blockchain torna-se concreta.

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Parece técnico, mas é uma grande notícia. A DTCC — a instituição que assegura a maior parte da liquidação de valores mobiliários nos EUA e mantém mais de 114 biliões de dólares (cerca de 100 biliões de euros) em valores sob custódia — começou este mês a tokenizar mesmo produtos financeiros numa blockchain. Acabou o piloto no papel: chegam as primeiras transações ao vivo.

O que entra concretamente em funcionamento

Através da plataforma ComposerX, os valores mobiliários existentes são convertidos em tokens — trata-se, portanto, de instrumentos reais que a DTCC já detém, e não de cópias sintéticas. Na primeira fase abrange ações do Russell 1000 (as mil maiores cotadas norte-americanas), grandes ETF indexados e dívida pública dos EUA. Como primeira blockchain pública, a DTCC escolheu a Stellar, dentro de uma estratégia multi-chain mais ampla.

Quem participa

Não é uma experiência de nicho. Participa um grupo de trabalho de mais de cinquenta instituições financeiras, incluindo grandes bancos como J.P. Morgan, Goldman Sachs, Bank of America e Citi, plataformas de negociação como NYSE, Nasdaq, Charles Schwab e Robinhood, gestoras como BlackRock, Franklin Templeton e Invesco, e atores cripto como Circle e Ripple. Raramente as finanças tradicionais e a cripto se sentaram tão claramente à mesma mesa.

Chainlink e o passo seguinte

Para a fase seguinte, a DTCC escolheu a Chainlink para alimentar uma chamada Collateral AppChain, prevista para o quarto trimestre: um sistema de avaliação, formação de preços e liquidação de garantias 24 horas por dia, 7 dias por semana. A implementação completa, com participação mais alargada e mais volume, está prevista para outubro de 2026. O presidente da DTCC, Frank La Salla, descreve-a como «uma ponte bem-sucedida entre TradFi e DeFi».

O que muda para a Europa?

A Europa não está parada: a UE tem o seu próprio Regime-Piloto DLT, e a revisão anunciada do MiCA analisa de perto a tokenização de ativos reais. O facto de a infraestrutura de mercado norte-americana entrar agora em funcionamento de forma concreta aumenta a pressão — e as probabilidades tanto de cooperação como de concorrência entre os continentes.

Ressalva: começar pequeno, escalar depois

Com os pés na terra: por agora trata-se de produção limitada, com fluxos estreitos. A DTCC opera ao abrigo de uma chamada no-action letter da SEC de dezembro de 2025, que abre uma janela de três anos. A verdadeira escala — e a questão de saber se isto transforma o mercado de raiz — ainda tem de se provar. Mas o facto de o maior liquidador do mundo dar o passo já é, por si só, revelador.

Fontes: Genfinity, DTCC. Última verificação: 22 de julho de 2026.

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